Campanha Anti-Plágio

Pamela Chris

terça-feira, 12 de junho de 2012

Conto - O Diário

Primeiramente, feliz dia dos namorados!!! Nem preciso falar que estou muitíssimo apaixonada, não?
Bem, e para começar esse dia mágico vou postar, pela primeira vez, um conto meu aqui no blog. Espero que vocês gostem ;)



Larissa entrou no banheiro para impedir que qualquer um visse suas lágrimas. Qualquer um, exceto sua melhor amiga, Rebeca, que no momento não estava sendo de ajuda alguma. Pelo menos ela cuidava da porta do banheiro, verificando se alguém estava chegando.
Mas ninguém iria aparecer, Larissa tinha certeza. Aquele banheiro só tinha um boxe funcionando, e mesmo que a pia e o espelho estivessem ok, a maioria das meninas usavam o que ficava mais perto da cantina.
Abaixou a cabeça e deixou-se chorar um pouco.
— Fala sério, Larissa — reclamou Rebeca.
A morena alta e linda estava encostada à parede, seus óculos escuros impedindo que Larissa visse qualquer traço de sentimento, seus braços cruzados mostrando o desinteresse que não estava ali de verdade.
— Ele nem sequer sabe que eu existo — Larissa fungou. Mais lágrimas desceram de seu rosto ao lembrar de seu amor platônico.
Não estava chorando por um motivo em especial. Apenas pelo mesmo de sempre. Mas talvez a TPM estivesse afetando.
Júnior era um rapaz loiro de olhos verdes, não tão alto, mas também não tão baixo. Tinha os cabelos curtos, estilo militar, e o formato do rosto marcante e bem masculino. Uma rala barba começava a crescer, o que lhe dava um ar maduro e sexy. Seus braços mostravam o quanto dava duro na oficina do pai, e seu cheiro de graxa também.
Ela adorava o cheiro dele.
Porém, mesmo apaixonada por ele desde o terceiro ano (já estava cursando a segunda série do Ensino Médio), ele nunca tinha reparado nela. Nenhuma vezinha sequer. Aquele dia não tinha sido diferente. Mas lembrar todos os dias em que passou a noite acordada pensando nele, tudo o que escreveu em seu diário, suas conversas com Rebeca sobre ele... E nada dele dar bola.
Isso fez seu estômago embargar. E agora ela estava no banheiro, apenas com a companhia de sua amiga. Que nem ajudava tanto.
— Você não devia chorar por alguém que não te dá valor. E também, logo você vai esquecer esse cara e encontrar alguém que te queira.
Mas ela não queria “outro cara”. Ela queria o Júnior. E se já gostava dele há tanto tempo, duvidava que fosse esquecê-lo tão facilmente.
Não culpava Rebeca por ser tão pessimista. A bela garota tinha encontrado o príncipe encantado, apenas para perceber que meia-noite já havia batido, e agora tinha uma abóbora nos braços. Se continuava seu namoro era apenas para não ter de volta o estado de “solteira” e também (se você perguntar para ela, Rebeca negará com todas as suas forças) porque tinha esperanças de recuperar o encanto de antes da meia-noite.
— Não vai ser fácil esquecer o Júnior — choramingou.
Olhou-se no espelho, apenas para se espantar com o que via. Como seus olhos tinham do cinza para o vermelho tão rápido? Arg, estava aí uma das inúmeras desvantagens de um amor platônico. Pegou em sua bolsinha uma toalhinha que sempre carregava para a escola e lavou e secou os olhos como pôde.
E ela nem era feia. Com seus cachos amendoados e sua pele clara, recebia muitas olhadas quando passava na rua. Mas no colégio mesmo, o único garoto de quem queria receber a atenção...
Se segurou para mais lágrimas não caírem de seus olhos.
— Ah, eu sei, ele é lindo, simpático, carismático, gostoso e blá, blá, blá, blá — reclamou Rebeca, e era a amizade de anos que não fazia Larissa atacá-la. — Mas, caramba, há anos eu ouço isso de você, e há anos estou “te ajudando”. Colhemos informações, perguntamos por outras, pegamos suas fotos no face, enviamos anonimamente uma cartinha de amor...
Larissa fez uma careta ao se lembrar da cartinha de amor. Aquilo tinha sido no quinto ano, e apenas escreveu aquelas palavras patéticas numa folha de papel mais patética ainda por insistência de Rebeca. E sua amiga teve razão em ficar brava quando Larissa não quis assinar seu nome ou fizesse algo que denunciasse sua autoria.
— E tudo isso pra quê? Para que toda a sua testemunha fosse eu e o seu diário — bufou. — Olha, eu sou sua melhor amiga e tal... É por isso que vou parar de te ajudar.
O rímel quase borrou seu olho quando Larissa ouviu aquelas palavras. Como assim não iria mais ajudar? Que raio de amiga era ela! Agora, mais do que nunca, precisava de sua ajuda. Tinha que conquistar o Júnior.
— E não me olha com essa cara de cão chupando manga, não — desdenhou a garota, para depois dar um sorrisinho. — Você sabe que eu te adoro, não sabe? Por isso vou te dar duas opções: ou você esquece esse garoto em uma semana, ou se declara para ele nesse tempo. Se não acontecer nem um e nem outro (o que, conhecendo você como eu conheço, nenhuma das duas opções vai acontecer) eu mesma vou até o Júnior e conto que você é completamente apaixonada por ele.
Seus lábios se abriram em choque, e Larissa abandonou completamente o estojo de maquiagem ao ver a sinceridade no rosto de Rebeca. Não precisava retirar os óculos escuros dela para ver em seus olhos o quanto falava sério. Receba era do tipo de temperamento forte, convicta, objetiva e de palavra. E uma vez que tinha falado algo...
— Isso é covardia — tentou argumentar, cruzando os braços. Seus lábios tremeram um pouco quando Rebeca apenas deu de ombros. Não havia mais como fugir. — Então... me dá um pouco mais de uma semana.
A garota sorriu e negou com a cabeça. Não que Larissa não esperasse por isso. Bateu o pé inutilmente e olhou para a lâmpada quebrada do banheiro semiabandonado.
Ela nunca tinha paquerado na vida, muito menos se declarado. Droga, ela nunca tinha sequer beijado na boca! Tudo porque só tinha olhos para o loiro militar que trabalhava na oficina do pai.
Sentiu seus olhos à beira das lágrimas quando se imaginou falando com Júnior, sobre seus sentimentos. E se ele risse dela, zombasse? Se a desprezasse, a humilhasse na frente de todos por causa do que sentia? Ah, droga, e o pior é que descobriria a reação dele em uma semana. Por que se não fosse ela a se declarar seria Rebeca. E sabia que a garota poderia contar mais do que Larissa gostaria.
Por isso tinha que ser ela própria.
— Como eu faço isso? — perguntou-se em voz alta.
Não era como se tivesse experiências com garotos.
— Ah, sei lá — Receba deu de ombros. — Envia outra carta, só que dessa vez assinada, por favor.
A careta voltou ao rosto de Larissa. Se fosse se declarar para o Júnior, não iria ser de uma maneira tão infantil.
Um risinho lhe chamou a atenção. Olhou para Receba, para saber se tinha sido ela, mas a amiga continuava enumerando situações. E era difícil dizer se achava graça de algo apenas com os seus lábios como referência.
— Envia uma mensagem para ele no face, elogiando-o — ela continuava. — Fura o pneu do carro do seu pai e vai com ele na oficina do pai do Júnior...
Larissa olhou para a porta, onde Rebeca estava bem próxima. Não, se alguém tivesse rido perto da porta do banheiro, Rebeca teria ouvido. O que queria dizer que a pessoa estava mais próxima de Larissa.
Mas acima dos espelhos não havia janela, de onde o som poderia ter vindo. O que lhe restava... os boxes.
Ah, não. Tudo menos a má sorte de ter alguém num dos boxes. Ainda mais alguém que não tinha saído apenas para ouvir a conversa das duas.
Abaixou-se da maneira mais higiênica que pôde naquele chão de banheiro e olhou para debaixo da porta dos boxes. Ainda bem que elas tinham um vão grande o suficiente para pelo menos poder ver prováveis par de pés.
Teve que reprimir um grito ao ver um Mary Jane roxo firmemente no chão. A garota até tinha ficado em pé para ouvir melhor.
— O que f –
Interrompeu a amiga com o olhar, e apontou para o box, mostrando que havia alguém ali. Ficou satisfeita o ver sua amiga surpresa, o que indicava que aquilo não fora uma armação dela. Levantou-se rápido e em silêncio, fazendo sinal para que as duas saíssem dali antes que a intrometida soubesse a quem pertenciam aquelas vozes.

Se jogou em sua cama sentindo um mal estar no estômago.
O dia, até àquele momento, estava sendo uma verdadeira droga. Estava na TPM, chorou por Júnior (de novo), sua amiga a pôs contra a parede e ainda a irmã de seu alvo platônico a tinha ouvido se declarar.
Sim, era a irmã do Júnior. O que antes considerava uma ótima ideia a garota estudar na mesma sala que ela, agora odiava o fato. Impossível não reconhecer o Mary Jane quando olhou para o pé dela, e nem o risinho enquanto a garota sentava em seu lugar de costume.
E agora Júnior iria saber da verdade mais cedo do que imaginava. Isso se contasse com o fato de que o rapaz acreditasse na irmã, ou que ela contasse para ele.
Mas havia mesmo a possibilidade de que Felipa não fosse contar?
Deitou de bruços na cama, bufando contra o travesseiro. Como iria para o colégio do dia seguinte? Não iria conseguir olhar para Felipa, muito menos para o Júlio. Bem, talvez ela não precisasse ir ao colégio. Podia inventar uma doença para sua mãe.
E também, Larissa nunca tinha faltado uma aula na sua vida, salvo muitas raras exceções. Sua mãe, do jeito que era completamente avoada, não iria lhe negar algo assim, não é? Ou iria? Ah, do jeito como o mundo estava conspirando contra ela, podia ser bem provável que tivesse que ir à aula no dia seguinte.
Cogitou ligar para sua amiga, a fim de desabafar, então se lembrou de como a garota tinha rido dela naquela manhã. Dizia que não tinha mais jeito, que não era apenas as duas que sabiam daquele segredo e Larissa logo teria que cumprir com sua parte.
Era mesquinho da sua parte, mas estava com raiva de Rebeca. Então, naquele momento, o único amigo com quem teria que desabafar era o seu diário. Pegou sua mochila, já sentindo o conforto do peso dela. Um peso que seu diário também contribuía. Seus dedos começaram a coçar enquanto puxava o fecho da mochila e depois a abria.
O coração parou dentro de seu peito ao olhar para o conteúdo. Viu seus livros, cadernos, seu estojo de lápis, e a bolsinha que levava ao colégio para carregar consigo no recreio. Mas nada da capa de couro, desenhada em cores prata e vermelha, e suas folhas amareladas que compunham seu diário.
Ela tinha seis: três completamente usados, um aparentemente desaparecido naquele momento, e mais dois para serem usufruídos. Todos adquiridos numa feira de antiguidades, comprados numa loja que imitava objetos antigos. Se apaixonou pelos cadernos de couro, com seus desenhos abstratos e únicos e suas páginas completamente vazias.
Mas onde estava o diário de capa marrom e desenhos em prata e vermelho? Tirou suas coisas da mochila, olhou bem para todas elas, voltou a pôr na mochila apenas para olhar sua cama vazia. Revirou seu quarto, procurando pelo diário que sabia que não iria encontrar. Ainda assim não conseguia acreditar que algo assim estava acontecendo com ela.
— Não, não, não — choramingou.
Onde tinha perdido seu diário? Torcia para que não fosse no colégio. Ai, se os alunos vissem todas as páginas que dedicava para o Júnior, suas fotos e declarações... Tremeu só em pensar no resultado.
Então onde poderia estar? Será que Rebeca o tinha pego? Ela poderia querer tirar umas fotos para mostrar para o Júnior, quando fosse falar dos sentimentos de Larissa para ele. Arg, aquilo não seria nada bom.
Decidiu ligar para ela.
E alguém bateu à porta antes que pudesse sequer tocar no seu celular.
— Eu desço daqui a pouco, mãe — gritou, tão atordoada com o desaparecimento do diário que nem perguntou por que sua mãe não a chamou para almoçar aos gritos, como sempre fazia.
Voltou novamente para seu celular quando sua mãe bateu à porta de novo. Bufou, começando a ficar irritada. Será que sua mãe tinha ficado surda?
Lá estava o mundo conspirando contra ela novamente, apenas para irritá-la. Será que não bastava seu amor platônico, a irmã dele ter ouvido tudo e agora seu diário desaparecido?
Pisou forte o chão até ficar de frente à porta e foi com raiva que a abriu.
— Que parte do “eu desço...” — sua voz emudeceu nos lábios.
À sua frente um rapaz estava parado, seus olhos verdes a encarando profundamente. Usava os cabelos curtos, estilo militar, e naturalmente loiros, em seus lábios se delineava o início de um sorriso.
— Sua mãe disse que você estava aqui — Júnior falou, se sentindo completamente à vontade.
Ela ainda não tinha encontrado a voz. Usava um jeans surrado, onde na base inferior tinha uma mancha de graxa. A camiseta azul também não estava em melhor estado, mas isso o deixava completamente sexy. Seu cheiro dizia que tinha tomado um banho gostoso, e de sua pele emanava um ar fresco.
— Ah — foi tudo o que conseguiu dizer, e nem foi uma palavra.
Voltou a olhar bobamente para ele, perguntando-se o que aquele garoto maravilhoso e que nunca tinha olhado para ela estava fazendo ali, bem à sua frente. Voltou a pôr o celular no bolso, já que não conseguiria ligar para sua amiga naquele momento.
Caramba, será que aquilo era um sonho?
O rapaz deu um passo à frente, ficando completamente dentro do quarto e mais perto ainda de Larissa. Seu coração acelerou e sua respiração ficou completamente desregulada. Disse a si mesma para se acalmar, pois o que ele pensaria daquilo?
— O que faz aqui? — perguntou, apenas para se arrepender no segundo seguinte.
Que tipo de pergunta era aquela, para fazer ao garoto por quem estava apaixonada? E que, por sinal, queria que estivesse ali.
— Minha irmã chegou em casa e começou a dizer que eu era um idiota, tapado, cego e muito, muito sortudo — suas palavras não faziam sentido, mas quem ligava para aquilo quando sua voz era tão suave, melodiosa, grave e sexy? — Ela pegou isso emprestado, para provar que tinha razão. Então eu vim aqui te devolver.
E apenas naquele momento ela percebeu que ele carregava um caderno com capa de couro nas mãos. Tinha a encadernação marrom e folhas bastante usadas.
Seu diário.
Pegou nele com as mãos trêmulas, e sentiu um formigamento no corpo quando seus dedos se tocaram. Com o rosto ainda baixo, levantou os olhos para ele, perguntando-se se tinha chegado a abrir seu diário. E se fez isso, como reagiu ao que viu ali. Provavelmente pensado que ela era louca.
— Obrigada — balbuciou, mas suas emoções estavam uma loucura dentro dela.
O que ele sabia? O que ele sabia?
Sentiu suas quentes e fortes mãos segurarem sua nuca, o que estremeceu seu corpo todo. Suas pernas ficaram bambas, e quando achou que iria perder o equilíbrio ele a envolveu pela cintura. Encaram-se por uma eternidade antes de ele tomar seus lábios.

Muitos Beijos

Um comentário:

  1. primeiramente
    oi??
    e como vc vai??..

    nossa que lindo amei, amei seu conto
    parabéns

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